
Manaus já está sendo monitorada de forma mais detalhada para entender como o calor se comporta na capital. Sensores instalados em pontos estratégicos das zonas Oeste, Sul, Leste e Centro-Sul estão em funcionamento, coletando dados sobre as condições térmicas de diferentes áreas como parte de uma pesquisa internacional desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Prefeitura de Manaus.
A pesquisa é conduzida pela arquiteta equatoriana Sylvia Jiménez Riofrío, doutoranda do MIT, que esteve em Manaus em agosto em uma etapa de dedicação exclusiva ao estudo aplicado sobre o calor urbano e o uso do telhado duplo como estratégia de adaptação climática. O trabalho em Manaus já soma mais de 14 meses e conta com duas bolsas de financiamento do MIT — o Lloyd and Nadine Rodwin Travel Grant e o CIS PhD Student Grant —, além do Jeanne Guillemin 2026 Prize, concedido a pesquisadoras que desenvolvem trabalhos de relevância internacional. A iniciativa também dá continuidade à colaboração entre o Núcleo de Arquitetura Moderna na Amazônia (Nama), da Ufam, e o City Infrastructure Equity Lab (Ciel), do MIT.
Durante reunião na sede do (Implurb), equipes técnicas da prefeitura, do MIT e da Ufam discutiram detalhes dos estudos, incluindo a escolha do edifício no Parque Mosaico, Tarumã, zona Oeste, como um dos pontos de coleta de dados da pesquisa, que irá monitorar condições térmicas em diferentes áreas da capital, para compreender como fatores urbanos influenciam a formação das chamadas ilhas de calor. Além disso, os estudos visam promover soluções arquitetônicas, urbanísticas e mitigadoras, para poder reduzir impactos das condições climáticas sobre a população.
Para o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, a participação do instituto reforça o compromisso da Prefeitura de Manaus com o planejamento baseado em evidências científicas e como lugar de instituição que produz conhecimento, no enfrentamento de um dos maiores desafios das metrópoles amazônicas nas próximas décadas: o calor urbano.
Pesquisa
Segundo Sylvia, Manaus ocupa posição estratégica para compreender os desafios enfrentados pelas cidades amazônicas.
A pesquisadora explica que o estudo irá desenvolver um modelo físico-matemático capaz de avaliar estratégias para reduzir o calor urbano, especialmente por meio da análise de coberturas e soluções arquitetônicas adaptadas ao clima amazônico.
Planejamento
O estudo conta ainda com a participação da Ufam, por meio do Grupo de Pesquisa Arquitetura Moderna na Amazônia (Grupo AMA), coordenado pelo arquiteto Marcos Cereto. Para o pesquisador, a parceria entre universidade, poder público e instituições internacionais permitirá transformar conhecimento científico em políticas públicas.
O vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, comentou que os levantamentos fornecerão informações inéditas para orientar decisões técnicas da administração municipal.
Cooperação internacional
Além da sede do Implurb, outros pontos da capital integrarão a rede de monitoramento que servirá de base para o desenvolvimento do modelo matemático da pesquisa. Os dados obtidos serão utilizados para compreender o comportamento térmico de diferentes ambientes urbanos e avaliar soluções capazes de reduzir temperaturas, melhorar o conforto ambiental e diminuir o consumo de energia nas edificações.
Ao integrar o estudo, Manaus passa a colaborar diretamente com uma das mais importantes instituições de pesquisa do mundo, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias que poderão beneficiar não apenas a capital amazonense, mas também outras cidades da Amazônia e da América Latina que enfrentam desafios semelhantes relacionados ao calor urbano e às mudanças climáticas.
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Texto – Claudia do Valle/Implurb
Fotos – Maxwell Oliveira/Implurb


